NEM OITO
NEM OITENTA Assim também
não dá! Lembram-se que eu lhes falei que antigamente o povo
ia queixar-se ao Bispo? E este procurava corrigir os erros com excessiva
lentidão, por falta de tempo e por exagerado cuidado para não
cometer injustiças. Também não deu certo! E uma das vítimas foi um padre acusado de pedofilia! Por enquanto, nada provado. Contudo, há mais de um mês que esse padre se encontra, "por medida preventiva" (?), confinado numa das piores prisões do Rio de Janeiro esperando o dia do julgamento. Será que é? Será que não? Os paroquianos que eu ouvi, e são muitos, dizem que não é. As provas que deram entrada no nosso Tribunal Eclesiástico não têm "fumus boni iuris" (não merecem acolhimento). Então, perguntar-me-ão, por que não espera o julgamento em liberdade? Só saberei dizer-lhes: 1 - Ele é réu primário; 2 - Tem morada fixa: a casa do padre do Rio Comprido; 3 - Tem um superior que se responsabiliza por ele: o arcebispo; 4 - É religioso e tem estudos reconhecidos pelo governo polonês como curso de nível Superior; 5 - Não é um criminoso que ofereça perigo iminente à sociedade; 6 - Não há perigo algum de sair do país antes de ser absolvido ou de cumprir a pena; 7 - Se para algumas pessoas um ano de cadeia não tem qualquer consequência psicológica futura, para um padre uma única noite poderá levá-lo à loucura... ao suicídio. Agora, dir-me-ão: Com essa falta de materialidade, quem o condenou com tamanha ânsia de fazer justiça com tanta rapidez? Só lhes saberei dizer que não foi a justiça do Bispo, mas a justiça do Estado. Assim, não dá! Nem tanto à terra, nem tanto ao mar, como bem diria meu bom e justo avô na sua absoluta falta de conhecimentos jurídicos. Evangelho de São Lucas 12,2: "Nada há oculto que não venha a descobrir-se; nada há escondido que não venha a saber-se". (Idem em Mt 10,26)
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