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O amor e o sofrimento
08/04/2011
Cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid - Arcebispo Emérito
da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Numa caminhada quaresmal que, pouco a pouco, se intensifica,
aproximamo-nos da Paixão do Senhor. Seu indizível
sofrimento até à doação da própria
vida – pois ela não lhe foi tomada, Ele mesmo a
entregou – é prova do maior amor que alguém
pode ter pelo outro. Amor e sofrimento encontram-se entrelaçados
na obra salvífica de Jesus, assim como, também,
ocorre nas vidas de todos nós.
Os capítulos
13 a 17 do Evangelho de São João relatam a despedida
do Senhor. O Lava-Pés introduz uma seqüência
de recomendações e palavras de consolo para os
discípulos, enfim, de gestos reveladores de seu amor
máximo por eles e... por todos nós: “Antes
da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora
de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam
no mundo, até o extremo os amou” (Jo 13,1).
Somos instados por
Ele a repetir seus gestos: “Dei-vos o exemplo para que,
como eu vos fiz, assim façais também vós”
(Jo 13,15), a fim de que cheguemos a compartilhar o Amor por
excelência: “Este é o meu mandamento: amai-vos
uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 15,12). Não
é possível amar como Jesus amou, nós sabemos.
Mas Ele nos pede, ao menos, o ideal de tentar fazê-lo
ao seu jeito.
Conhecendo nossa
fraqueza e incapacidade para atingirmos isto, Ele próprio
as supre, pelo dom do Espírito Santo, a fim de completar
seu ensinamento e sua obra: “Quando vier o Paráclito,
o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade”
(Jo 16,13). Da mesma forma, apresenta-nos o Pai como Aquele
que vai atender os nossos pedidos, desde que sejam feitos com
fé e em nome do próprio Jesus: “Em verdade,
em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele
vo-lo dará” (Jo 16,23).
Mediador da nossa
comunhão com a Trindade, o Senhor institui a Eucaristia,
onde nos manifesta sua presença real, e demonstra-nos,
ainda uma vez, o seu amor, através da promessa da eternidade
feliz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não
fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar”
(Jo 14,2). Eis uma das mais belas de suas promessas!
Continuando a meditar
os textos de São João, encontramos a definição
de que “Deus é amor”. O Evangelista repete-a
por duas vezes na sua primeira Carta (cf. 1Jo 4,8.16). Ora,
o amor exige correspondência. Esta é uma afirmativa
tirada da experiência de nossa própria vida. Canta
um hino ao Coração de Jesus: “Quem não
retribuirá com amor, um amor tão gratuito e tão
sublime?”. Criados à imagem desse Deus-Amor, trazemos
em nós a capacidade de amar; ainda mais, trazemos a exigência
do amor. Portanto, esta força inata é que nos
impele a reconhecer a bondade e a beleza das criaturas. De outra
forma, seríamos incapazes de admirá-las ou de
nos sentirmos atraídos por elas.
O ser humano que
se fecha ao amor é, verdadeiramente, digno de lástima,
pois torna-se frustrado, mutilado, falho na realização
daquele ideal que Deus concebeu para ele. Portanto, subsiste
em nós um potencial de amor, que nos foi dado por Deus
ao sermos criados. A partir deste dom, Deus quer que retribuamos
o seu amor, colocando-o acima de todas as coisas, e o dediquemos
também ao próximo.
Eis uma das nossas
maiores dificuldades, pois o próximo varia de acordo
com as circunstâncias em que nos encontramos. Além
disto, ele não nos assegura o reconhecimento e a retribuição
que recebemos de Deus. Entretanto, somos chamados a dedicar-lhe
o mesmo amor de Cristo que, levado ao extremo, representou o
derramamento do próprio sangue por todos nós,
conforme sua iniciativa livre e gratuita. Assim, amar o outro
apesar de suas imperfeições, talvez até
mesmo por causa delas, dando a vida por ele, se necessário
for, é o ato de maior heroísmo.
Um dos Cânticos
da Liturgia das Horas, extraído do Apocalipse de São
João, nos apresenta a figura do Cordeiro imolado, cujo
sangue nos salva e no qual lavamos nossas vestes, simbolizando
a purificação do pecado: “Porque fostes
por nós imolado; para Deus nos remiu vosso sangue dentre
todas as tribos e línguas, dentre os povos da terra e
nações. O Cordeiro imolado é digno de receber
honra, glória e poder, sabedoria, louvor, divindade!”
(Ap 5,9.12).
Esse ato de amor
de Cristo é intraduzível. É um amor pleno,
porém doloroso, mesmo para Aquele que é Deus,
pois assumiu a natureza humana para sofrer a Paixão.
E aqui entramos no mistério do sofrimento, que nos toca
muito de perto. Embora Cristo tenha carregado todo o sofrimento
da humanidade na sua cruz, Ele jamais seria a causa disto. Nós
é que o somos.
A herança
de dor e morte, que todos compartilhamos, começou com
a rejeição de Deus pelo ser humano, ainda nos
primórdios da criação. Dali em diante,
desencadeou-se uma avalanche de conseqüências, que
têm marcado nossa história, ao longo dos tempos.
Tornando-se propenso ao pecado, o ser humano tem sua mente ofuscada
e a vontade enfraquecida para compreender e cumprir os desígnios
divinos. Enfim, está sujeito à morte. O que seria
a passagem natural de um estágio transitório de
vida, para a bem-aventurança eterna, torna-se uma ruptura
angustiante e dolorosa, muitas vezes associada à doença.
Elevando o olhar
para Cristo, contemplamos nele o nosso mesmo sofrimento, porém
assumido inocente e livremente, como cumprimento fiel da vontade
do Pai e solidariedade para conosco: “Pai, se é
de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não
se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua”
(Lc 22,42).
Aquele que, sem
deixar de ser divino quis ser um de nós, enfrentou o
somatório das dores humanas, em toda a seqüência
de torturas e humilhações que se seguiram: os
falsos testemunhos e mentiras contra Ele, a injustiça
de ser preterido em benefício de um malfeitor qualquer,
sem ao menos um julgamento, as bofetadas e chicotadas, a coroação
de espinhos e o manto, numa caricatura de veste real... Enfim,
a terrível crucifixão, na qual o sofrimento físico
foi mesmo superado pela avassaladora experiência das trevas
espirituais causadas pelos nossos pecados.
Assim, meus caros
leitores e leitoras, ao entrarmos no período do sofrimento
de Cristo, estamos diante de um amor indizível: “Eis
aqui uma prova brilhante do amor de Deus por nós: quando
éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”
(Rm 5,8). E haveremos de lhe dar em troca, pelo menos, um amor
sincero.
Contemplando a Paixão,
coloquemo-nos aos pés da cruz, invocando o sangue de
Cristo “sobre nós e sobre nossos filhos”
(Mt 27,25), em forma de bênçãos para nossa
purificação e de nossas famílias. Que seu
precioso sangue se derrame sobre nossa cidade, nosso país
e todas as nações do mundo, especialmente aquelas
onde a paz ainda não se realizou. Sobre aquelas que crescem
como futuras potências econômicas, tais como China
e Índia, que trilhem os caminhos do progresso passo a
passo com o respeito à dignidade humana. Que possamos
sonhar com a conversão desses povos à fé
cristã, pelo extraordinário poder do amor e do
sofrimento de Jesus!
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Palavra
do Pároco
Mensagem do Padre Abílio de Vasconcelos

CRISTO DO CORCOVADO 80 ANOS

Mensagem
de Dom Eusébio Scheid
Neste artigo, à luz da caminhada quaresmal, Dom Eusébio fala que o amor e o sofrimento encontram-se entrelaçados na obra salvífica de Jesus, assim como ocorre na vida de todos nós.
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Mensagem
de Dom Orani João Tempesta
“O monumento a Nosso Senhor Jesus Cristo Redentor, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, evoca aquilo que a nação brasileira possui de mais originalmente seu: evoca a fé de nosso povo, desde os tempos mais remotos”.
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